Atualidades em biologia

As 10 Regras de Ouro para conviver – e sobreviver – em grupos para determinação (identificação) de espécies no Facebook

Ver Currículo - Fernando C. Straube • 01 de março de 2018


Além de ser uma ótima ferramenta para relacionamentos pessoais, O Facebook é também excelente para o enriquecimento profissional. Dia após dia são criados novos grupos, com os mais diversos objetivos e, dentre eles, aqueles que servem para a determinação (identificação) de espécies da biodiversidade do Brasil e mesmo de outros países.

Essas associações são tipicamente criadas por voluntários que, auxiliados por inúmeros colaboradores, dispõem-se a determinar, ao nível mais preciso possível, os táxons a que se referem mídias que vão de fotos e sons até vídeos. Com isso, pessoas das mais variadas profissões e dos mais diversos níveis de formação têm interagido, gerando um avanço formidável no conhecimento das espécies da fauna e flora do Brasil.

Para essa breve contribuição, que serve como guia de convivência (e sobrevivência), contei com a ajuda de administradores, moderadores e usuários de alguns dos grupos ativos mais importantes no Facebook como o Detweb, Identificação Botânica, Que bicho é esse?, Herpetologia Brasileira, Rede AM de Divulgação Científico Ambiental, Identificação de Aves, Borboletas e Mariposas, Ornitologia Brasileira – Ciência, Círculo científico: Instituto Brasileiro para a Divulgação Científica e diversos outros. Também participaram diretamente da concepção deste texto, a quem agradeço pelas contribuições, os amigos Edelcio Muscat, Felipe Bittioli Gomes, Gerdaff Lóra, Ignacio Agudo, Paulo Sérgio Bernarde, Sandro Von Matter e Vitor de Q. Piacentini.

É importante frisar que muitos grupos do Facebook, embora também liguem-se a esse propósito, não servem apenas para a determinação e sim para uma série de outros tipos de debates e mesmo divulgação de imagens, literatura, eventos e similares. Dessa maneira, algumas das regras aqui apontadas não servem diretamente para eles, por terem objetivo mais amplo. O título mais apropriado para este artigo, então, é “regras para a interação em postagens contendo pedidos de determinação da fauna e flora no Facebook”.

 

1. A primeiríssima regra: seja educado.

Respeito pelos colegas é essencial. Caso discorde de algum conteúdo, manifeste-se – porém – sempre de forma educada. Mesmo que precise ser enfático em algum ponto de vista: use palavra adequadas e seja claro o suficiente para não criar mal-entendidos. E lembre-se: não use caixa alta; esse tipo de letra significa “gritos”.

2. Leia com atenção a descrição e as regras do grupo.

Antes de pedir filiação a um grupo, observe a filosofia de publicações, quais são as normas e que tipo de conteúdos são aceitos. Essas informações geralmente estão disponíveis logo abaixo da imagem de apresentação do grupo, como “Descrição”. Caso deseje publicar algo, mas tenha dúvidas se é compatível com as regras, consulte o administrador. E lembre-se: grupo para identificação não foi feito para divulgar eventos, abaixo-assinados, piadas ou coisas do gênero. Você poderá ser advertido ou mesmo excluído caso faça isso.

3. Grupos para identificação servem para... identificação!

Quando um membro publica uma foto, pressupondo-se que ele esteja ciente das regras do grupo, ele busca a identificação mais segura e precisa do animal ou planta retratado. O mesmo esperam os demais associados. Dessa forma, não publique opiniões paralelas alusivas a detalhes notados na imagens, tais como perguntas sobre por que um animal está morto, se o usuário possui autorizações ou manifestos em geral de proteção à natureza. Esses comentários são geralmente bem-intencionados, mas acabam por desvirtuar os objetivos do grupo e inibem potenciais colaboradores. Caso sinta-se em dúvida, contate o autor diretamente ou, em último caso, denuncie às autoridades competentes

4. Quando for publicar uma foto, indique onde e quando foi tirada.

A localização (e também a data) de imagens publicadas são obrigatórias na maior parte dos grupos. Essas informações servem para orientar os potenciais colaboradores e enriquecem o conhecimento que dispomos sobre nossa biodiversidade. Evite indicar topônimos ambíguos como, por exemplo, “Rio” ou “Rio Grande”. Evite também as indicações imprecisas como “Amazônia” ou “sul do Brasil”. Mencione, localidade, município e a (sigla da) unidade da federação, apontando por extenso a data do registro, por exemplo: 28 de janeiro de 2018. Faça o possível para incluir detalhes colhidos no momento do flagrante como o horário e dados ecológicos que julgue serem relevantes (p.ex. “dentro da floresta”, “na beira da estrada, rodovia BR-116”, “embaixo de tronco apodrecido caído na mata”, etc.). Caso a foto não seja de sua autoria, mencione explicitamente o autor.

5. Não faça identificação duplicada.

Não há necessidade de aferir identificações, a não ser que isso seja claramente solicitado. Se você viu a imagem e concorda com o nome científico indicado por algum colaborador, não repita a identificação. Basta curtir. Embora seja bem-intencionado, seu ato mostrará que você não leu a contribuição anterior e, assim, demonstra que não está dando a mínima atenção à opinião dos colegas. Já que falamos em ler os posts anteriores: faça isso – leia! – com tudo o que foi escrito nas mensagens antes da sua.

6. Seja claro na posição e no conteúdo dos posts.

Comentários como “concordo” ou “excelente” podem ser publicados, especialmente quando há polêmicas. No entanto, eles precisam ter conteúdo além desse e, claro, colocados na posição adequada, para evitar má interpretação. Muitas vezes, seu comentário acaba sendo incluído como resposta à mensagem original e não a um post publicado em seguida. Se você escrever “concordo”, não ficará claro se está concordando com um ou outro. Caso perceba que possa ocorrer alguma dúvida, escreva e justifique: “Concordo com o membro X, porque ...”.

7. Não seja lacônico, caso discorde de alguma identificação.

É muito deselegante uma identificação diferente da anterior e desacompanhada de um texto explicativo dos porquês da discordância. Se discorda do nome apresentado por algum colaborador que se manifestou antes de você, aponte o táxon que acha correto mas, sempre, inclua as razões que o levaram a tal conclusão. Algo como: “Discordo do colega e penso de tratar da espécie X, por causa da coloração X que apresenta na cabeça e que é característica diagnóstica entre as duas espécies”. Para isso indique fontes diversas, em particular literatura técnica. Grupos de identificação não são sorteios e, assim, nomes duplicados ou distintos lançados ao acaso apenas servem para criar confusão entre os associados, especiamente os iniciantes.

8. Acrescente.

Muitas e muitas vezes, não é somente a forma e cor que determinam a identificação das espécies. Há muitos outros detalhes envolvidos. Se você puder, inclua informações compementares que ajudem a confirmar o veredito. Dados ecológicos, biogeográficos ou pouco conhecidos também são relevantes e podem estimular potenciais colaboradores a observá-los no futuro. Mesmo que você concorde ou discorde da identificação, poderá fornecer essas informações espontaneamente, inclusive sugerindo a leitura de artigos técnicos ou livros.

9. Lembre-se: há varios tipos de colaboradores

Respeite as pessoas que contribuem com a identificação, pois estão oferecendo gratuita e espontaneamente o seu conhecimento. Isso é básico e deve ser levado em conta, mesmo que porventura tais colaboradores errem ou forneçam informações equivocadas. Todos, incluindo os mais experientes, estão sujeitos a enganos e apenas uma discussão saudável, educada e rica em detalhes nos levará a cumprir os objetivos dos grupos. Não importa se tal colaborador tem 50 ou 100 artigos publicados, ou se conhece tal bioma como ninguém, e sim a riqueza de argumentos usada para chegar à conclusão da identificação. Seja humilde, seja lá qual for sua experiência, pois alguns outros não o serão. E embates desnecessários apenas desvirtuam o trabalho do grupo.

10. Algo o incomodou? Denuncie ao administrador.

O trabalho do administrador e dos moderadores é voluntário. Dessa forma, algumas publicações discordantes das regras do grupo podem acabar passando pelo filtro deles. Caso isso aconteça, denuncie. Note que, no canto superior direito de cada post há um ícone com “três pontinhos”. Clique ali e selecione o ítem “Denunciar ao administrador”. Sua colaboração será importante e mostrará ao grupo de administração que há outras pessoas dispostas a zelar pelo grupo.

 

Agora vamos à parte chata. Um membro que não pratique os preceitos mais básicos de respeito entre os colegas ou que porventura fira as regras do grupo, poderá sofrer várias punições, determinados pela equipe de moderação. Essas penalidades são:

Exclusão da publicação;

Advertência: o moderador emite uma mensagem notificando o usuário sobre o que ele errou, geralmente com orientação sobre como deverá proceder dali para diante;

Silenciamento: o moderador siliencia (por tempo definido entre um e 24 horas) a participação do usuário que, com isso, não poderá publicar nem comentar no grupo;

Exclusão: o usuário é excluído do grupo, mas poderá futuramente se reassociar;

Banimento: o usuário é excluído e, além disso, não poderá mais se filiar o grupo.  

 

 

 Addendum. Não há como deixar de lado a menção ao uso do termo “identificação” que, embora amplamente utilizado com outro sentido,  é corretamente aplicado apenas ao momento em que ocorre a descrição da espécie enquanto novidade científica. Determinação, por sua vez, é o estabelecimento da denominação  mais precisa possível de um organismo, pela análise comparativa de suas características com as espécies previamente descritas.

 

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